by; Dom Marcellus
Sempre que o verão retorna, a memória abre suas portas e me leva de volta àquele janeiro. Bastava o cair da tarde para o coração acelerar, pois eu sabia que um simples convite seu bastava para transformar a noite em uma aventura inesquecível.
Sua casa era nosso refúgio. A piscina refletia o céu alaranjado enquanto a água morna abraçava nossos corpos. Entre sorrisos, olhares demorados e provocações silenciosas, a distância entre nós desaparecia pouco a pouco.
Você caminhava com uma elegância irresistível. Suas curvas desenhavam poesia, e o brilho do seu olhar dizia muito mais do que qualquer palavra. Eu me aproximava lentamente, deixando que o desejo fosse construído no ritmo da respiração, do toque delicado e da expectativa.
Cada beijo parecia interromper o tempo. Cada abraço despertava um novo arrepio. A água, a brisa e o perfume da noite criavam um cenário onde a paixão encontrava liberdade para florescer sem pressa, apenas guiada pela intensidade do momento.
À beira da piscina, permanecíamos por longos instantes, envolvidos por uma cumplicidade rara, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido. O calor do verão misturava-se ao calor dos sentimentos, transformando cada encontro em uma lembrança impossível de apagar.
Foi um janeiro inteiro assim. Dias e noites vividos com intensidade, descobertas e entrega. Cada reencontro trazia a mesma ansiedade do primeiro, e cada despedida deixava a certeza de que o próximo encontro seria ainda mais inesquecível.
Hoje, quando fecho os olhos, ainda consigo ouvir o riso ecoando entre as águas, sentir a brisa daquela estação e recordar a maneira como nossos olhares se encontravam antes de qualquer palavra.
Algumas histórias terminam. Outras permanecem eternamente acesas na memória, como um verão que nunca deixou de aquecer a alma.
Enviado ao Te Contos por @don-juan-amante
Nenhum comentário:
Postar um comentário