By; Izadora
Ola me chamo Izadora, sou
casada.
Bom. Toda mulher devia se dar
ao direito de fazer um sexo profissional. Sim, pagar pelo prazer, conduzir ou
deixar ser conduzida sabendo que você é a dona da situação. É algo empoderador,
como diriam alguns.
Sim, só sexo. Mas não pense que
esse texto não fala de amor. Aí que você se engana. Fala do amor que você pode
descobrir por você mesma, pelo mulherão que você é, mas que insiste em não
perceber.
Mas vamos deixar pra falar de
amor com sexo para outra ocasião, agora quero falar de sexo sem amor (ou “amor”
em primeira e única pessoa, como prefiro definir).
Em 29/12/2021
-Tchau, prazer, foi um prazer
te conhecer!
-Tchau, o prazer foi todo meu,
literalmente falando.
Brinquei ao bater a porta. Foi
assim que me despedi naquela tarde do homem bem dotado de diversos talentos: de
carinho, de toques suaves, mas firmes ao mesmo tempo, a tal pegada, de uma
barriga chapada, com gominhos sob medida, aquelas de cinema que você acha que
não terá capacidade de chamar atenção caminhando aleatoriamente pelas ruas.
Dotado daquele peitoral grande
e forte, daquela barba também na medida certa. Logo eu, que nem curtia barba,
não é que gostei daquele arrepio que seus pelos causavam ao sentir ele
esfregá-la em meu pescoço, nuca e orelhas?!
Ok, para você entender essa
história e não achar que se trata de um conto erótico a gente vai precisar
voltar um pouquinho, mais precisamente 27 anos que completam a história de um
casamento “perfeito”.
Primeiro namorado, oito anos
depois meu marido, uma união estabelecida de companheirismo, amor e uma certeza
de que seria pra sempre. Ah, sim, sexo, o sexo me fazia chorar de prazer, foi
ficando melhor com os anos, era incrível saber que você dominava cada
centímetro do corpo dele e ele o seu. O sexo era intenso, todos os dias, várias
vezes ao dia.
Até que…sempre tem um “mas”,
né?
Pausa para a chegada do
primeiro e único filho, hoje um adolescente. Alguns homens podem não entender
que essa é uma fase de entrega total da mulher a sua prole. A mulher que consegue
manter o mesmo ritmo é uma super mulher ou apenas está mentindo. Meu marido me
arrancava mais admiração porque entendia esse ciclo, um verdadeiro companheiro,
pai e amigo.
Mas verdade seja dita, um dia a
rotina chega e diz: hei acabou! E o sexo entra no automático. Você tenta,
propõe, pensa, mas 27 anos depois algo esfriou e você acha que viver apenas
daquele amor tranquilo será suficiente e se conforma. Se anula. Afinal, o que
você vai querer depois de tantos anos?!
Só esquecemos de combinar isso
com o futuro e para encurtar bem a história (afinal precisamos voltar para a
que nos trouxe até aqui), vem a separação. Com ela a dor, a frustração. As
verdades não ditas, as mentiras descobertas, o sonho margarina se desfaz.
A primeira coisa que as amigas
cobram é um novo relacionamento
Mas você se conhece, sabe que
tudo tem sua hora, primeiro diz que está bem, que vai se entregar às práticas
da yoga, da meditação e quem sabe virar monja. O sexo lhe parece desprezível,
singular. Opa, “singular”, não seria isso?!
Será que eu só precisaria
descobrir que não tem nada de errado comigo, me tocar, comandar meu corpo, me
reconectar, experimentar outros “dotes” … hei, eu só tive dois homens ao longo
de 27 anos, e um nem conta – é uma obrigação moral essa descoberta.
Em 26/12/2021
Comecei a pesquisa por um rapaz
profissional do sexo. A curiosidade foi genuína e objetiva: conhecer outro pau,
simplesmente isso. Apesar de não conhecer muitos, eu tenho minhas
preferências.
Pesquisa. Tec, tec …internet
modo privado. Não é que o processo de pesquisa também foi prazeroso? Me permiti
me tocar como há muito não fazia.
Lembrei dos “brinquedos”
guardados em algum canto do armário. Gozei com eles no processo intenso de
apuração dos perfis que buscava. Ok, não posso negar que coragem sempre tive,
ousada sempre fui, fiel em todos os sentidos, incluindo meus desejos.
Eu estava determinada, mas
precisava de um álibi que me levasse até o alvo de forma sutil e com margem
para desistir – se fosse o caso. Selecionei quatro anúncios de massagem
tântrica. Um parêntese, a intenção não é desqualificar o método sério,
legítimo, que tem por finalidade o autoconhecimento – a penetração não é o
objetivo fim dessa prática. Mas verdade seja dita, era o que eu queria – santa
hipocrisia.
Mandei WhatsApp para três.
Apaguei os três imediatamente. Ufa! Ninguém teve tempo de ler. Isso é loucura.
Eita, um responde um singelo “Olá”. Demoro um dia pra responder de volta e peço
desculpas. Algumas trocas depois, escolha feita.
Em 29/12/2021
Dá-lhe ritual de preparação:
Depilação ok ✅
Lingerie ok ✅
Unhas ok✅
Roupa ok✅
Cola no Google maps para ver a
distância entre o ritual e o prazer. Rota vista, 26 minutos de Uber. Checklist
pronto. Espera, “dote 22”?!
Gente, cadê a régua? Preciso
ver isso direito. Eita. Será?! Deus me livre, mas quem me dera!
Três dias antes
Melhor avisar as amigas,
precisarei de alguém sensata para me fazer desistir. Só consegui cúmplices
ouriçadas pela façanha.
– Vai amiga, permita-se!
– OK, vou. Mas vou mandar
a rota para vocês. Vamos combinar uma estratégia. Me liguem assim que eu
chegar, anotem o endereço, chamem a polícia se eu não voltar em uma hora. Se
algo acontecer, fui apenas investigar em campo uma possível pauta.
– Uma hora só?
Elas dizem quase ao mesmo tempo
ao saber o tempo total da aventura.
– Sim, suficiente para saber se
precisarei sair correndo ou pedir extra.
Chegou o dia. Amanheci com
cólica.
– Amiga, minha mãe veio para
casa. Visita inesperada. Acho que é um sinal para eu não ir.
– Ok, não se sabote e
vai.
A caminho …
Gente, será que esse Uber sabe
que eu estou indo dar? Moço é só uma massagem, juro!
Chego meia hora antes do
combinado, paro para comprar uma água.
Porque a moça do caixa está me
olhando assim? Será que ela também sabe que eu estou indo dar? Phodeu, todo
mundo sabe, está estampado na minha cara? Pera gente, eu já falei, é só uma
massagem. Eu, hein!
Max manda uma mensagem. Digo
que cheguei antes e parei na padaria, pergunto se posso ir. Ainda bem que ele
concorda, não que pensasse em desistir, mas qualquer minuto a mais séria de
tesão acumulado, digo, tensão acumulada.
– Boa tarde! Vamos subir?
Palavras amenas, oferece uma
água, já está tocando uma playlist conhecida. Ele procurou saber antes meu
gosto… Yoga, que fofo. Fofo?! Volto para o carnal: que peitoral é esse,
Namastê.
Uma meia luz, um futon no chão,
dois copos de água, velas, uma cortina azul de cetim, uma maca. Olha aí, vai
ter massagem, não falei, mundo. É só uma massagem!!!
Eita, ele já está nu!!
Que horas isso aconteceu? Acho
que me distrai com a maldita maca que sequer será usada. Eita atrás de eita, já
estou nua. Acho que me distrai com seu abraço, ou com sua barriga, talvez com
seu pescoço longo, que homem alto.
De pé, na minha frente, sinto
suas mãos por todo meu corpo. As minhas esbarram em algo de 22 cm. Opa. Recuo.
Mentira, só mudo o foco para sua bunda. Aperto. Finco meus dedos em suas costas
e quando menos imagino estou pendurada em sua cintura.
Gente, isso é só um asana! Cadê
a massagem? Foda-se a massagem. Deitamos. Eu de barriga pra cima. Ele por cima.
Preciso comprar um futon… Não vou beijar na boca …
– Hein, que língua é essa!!!
E o beijo teve encaixe!!! É
isso minha amiga, acredite, foi um plus que sinceramente eu não esperava. Como
ele se controla assim o tempo todo ereto? Já deve ser tão banal. Porque não
consegui isso no casamento?
Pensei, quis criar teorias, mas
consegui afastar a teoria e me entregar à prática rapidamente. Mordi seu
pescoço enquanto ele gentilmente afastou minhas pernas. Enquanto sentia seu
rígido pênis tocar minhas coxas, me vi sussurrando “camisinha”.
– Calma, só estamos brincando.
– Nem vem com essa, Max, posso
ser “quase uma virgem”, mas me lembro bem desse lance de “é só a cabecinha”.
Ele se rende a minha pressa
(tardia) de 27 anos, junte a isso os últimos 12 meses sem transar, nadica de
nada. Zero. Vejo Max “maximizando” cada centímetro do anunciado. A régua não
era propaganda enganosa, não.
Gente, será que estou
arranhando-o? Ele reclamaria. Acho. Foda-se. Foda-me. Uma, duas, três… parei de
contar. Mordidas no pescoço.
– Isso, gostosa. Não para
gostosa!
Ok, gemidos sinceros me
interessam. Quem está usando quem? Me usa! Me abuse! A recíproca é verdadeira.
Ele me conduz para um oral…
Recuso. Não, obrigada … quem
sabe de outra vez. Mas fique à vontade. Tô pagando, inevitável pensar isso, e
era bom pensar isso. Um fetiche realizado nunca deve ser desprezado… Seus
lábios chegam ao comando. Sua língua alcança a gruta esquecida.
De costas sinto seu ar quente
A flor de lótus tatuada em
minha nuca deve ter perdido as pétalas. Tento afastar pensamentos que insistem
em atrapalhar o processo… Ora consigo, ora não, mas sigo respeitando o
processo. É autoconhecimento. Deixe-os chegarem e irem embora na mesma
velocidade.
Lembro que levei meu brinquedo
próprio. Fiz questão de levar logo que soube que faria parte da jornada
tântrica. Cadê ele? Opa, ui, está aqui.
Max, legal, mas isso eu posso
fazer em casa. Não desista de mim… Uau, ele leu meus pensamentos. Isso é mágico
mesmo. Aqui está ele novamente, intenso, inteiro, de verdade, conjunto da obra
completa: Max, os 22 cm, a boca, a língua, as leves mordidas, os dedos
molhados… Tanta confusão… Começa novamente.
Até que um abraço sinaliza que
está chegando ao fim. A massagem?! (Ele pergunta) Ah, sim no pé, por favor.
Como comecei esse texto, toda
mulher devia se permitir uma experiência com um profissional do sexo, sem
compromisso, porque amigas, penetrar numa mulher qualquer um penetra, quero ver
penetrar na alma dela, no profundo de seus desejos, sem pudor, com presteza,
sem pensar em si, só nela, exclusivamente nela.
Homens pagam por fetiches sem
se questionar demais, sem burocratizar, porque você não pode fazer o mesmo se
tiver vontade? Homens, entendam de uma vez por todas, penetrar uma mulher não é
para qualquer um.
– Tchau, o prazer foi todo meu,
literalmente falando.
A tântrica? Sim, ainda quero
conhecer de verdade como tem que ser. Dicas?
- Enviado ao Te Contos por
Izadora